Informação sobre tuberculose, causas, sintomas e tratamento da tuberculose pulmonar assim como o modo de transmissão, identificando procedimentos para a sua cura e apresentando dicas de prevenção, descrevendo os diversos tipos de tuberculose.


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Tuberculose Pós-Primária

Tuberculose pulmonar pós-primária é uma doença crônica comumente causada pelo reativação endógena de uma infecção latente ou re-infecção exógena por Mycobacterium tuberculosis. Existem outros sinónimos, principalmente derivados a partir da via de transmissão da infecção ou da idade do paciente no início da doença, e inclui a tuberculose endógena de reactivação primária, re-infecção exógena tuberculose pulmonar, ou tuberculose pulmonar na idade adulta. O termo que estamos a usar é 'tuberculose pulmonar pós-primária" para incluir ambas as formas, nomeadamente re-infecção e reativação. As características clínicas da doença não são específicas, e os recursos de imagem são sugestivos, mas podem simular outras doenças. O diagnóstico definitivo depende da identificação de bacilos M. tuberculosis, usando métodos microbiológicos convencionais de bacisocopia e cultura ou outros métodos que também podem identificar estirpes resistentes aos medicamentos. Esfregaço e cultura de escarro continuam a ser os métodos de investigação mais importantes. A baciloscopia negativa pode atrasar o diagnóstico por 4 a 8 semanas ou mais se a cultura também for negativa. Com o inicio do tratamento, deve ser feito um diagnóstico presuntivo baseado nas características clínicas e radiográficas após a exclusão de outras causas possíveis dos achados radiológicos.

Reduzir transmissão da tuberculose

A tuberculose pulmonar e a tuberculose laríngea são classificadas como doenças de transmissão aérea e requerem medidas administrativas, ambientais e de proteção individual que diminuam o risco de transmissão da doença.
Todo ambiente onde circulam pacientes que produzam aerossóis contendo Mycobacterium tuberculosis oferece algum risco de transmissão. Destacam-se como foco das medidas de controle o domicílio do paciente, seu local de trabalho e as unidades de saúde nas quais é atendido (em nível ambulatorial, emergencial e hospitalar), além de instituições de longa permanência, como prisões, albergues ou casas de apoio. Para diminuir o risco de transmissão da tuberculose é preciso ter em conta alguns pressupostos:
  • A transmissão da tuberculose faz-se por via respiratória, pela inalação de aerossóis produzidos pela tosse, fala ou espirro de um doente com tuberculose ativa de vias aéreas, salvo raríssimas exceções.
  • Quanto maior a intensidade da tosse e a concentração de bacilos no ambiente e quanto menor a ventilação desse ambiente, maior será a probabilidade de infectar os circunstantes.
  • Com o início do tratamento adequado e o uso correto de medicamentos antituberculose em pacientes infectados com cepas sensíveis, a transmissibilidade diminui rapidamente em duas a três semanas. Portanto, a prioridade na instituição das ações preventivas deve ser dada aos pacientes com maior risco de transmissibilidade, que são aqueles não diagnosticados (sintomático respiratório) ou nos primeiros dias de tratamento.
  • Ocorrendo infecção pelo bacilo da tuberculose, as pessoas com maior risco de adoecer são aquelas com a imunidade comprometida.

Tuberculose Miliar

Esta forma de tuberculose é mais comum em crianças menores de 2 anos e não vacinadas pelo BCG, ou então em pacientes com imunodepressão moderada a grave (ex.: desnutrição, SIDA). Lembre-se da disseminação linfo-hematogênica logo após a primo-infecção.
Normalmente, os focos hematogênicos são contidos quando da instalação da imunidade e permanecem latentes. Nesta forma de tuberculose, entretanto, esses focos não são contidos e evoluem com progressão da lesão e grande proliferação bacilar. O foco primário pode progredir e continuar lançando bacilos no sangue ou então um foco metastático na parede de uma veia pulmonar (foco de Weigart) pode ser o responsável pela continuação da disseminação. O interstício pulmonar e as meninges são os tecidos mais afetados, mas a doença também está presente no sistema retículo-endotelial (fígado, baço, linfonodos), medula óssea etc. Se não tratada precocemente, a doença quase sempre leva á criança ao óbito. O termo 'miliar' vem do aspecto macroscópico do comprometimento multi-nodular pulmonar - os nódulos granulomatosos intersticiais são semelhantes às sementes de miliet, uma espécie de gramínea. A meningite tuberculosa, também mais comum em crianças com idade inferior a 2 anos, é uma forma de tuberculose miliar primária. A vacina BCG consegue prevenir esta complicação.


Tuberculose miliar aguda oumiliar  generalizada aguda é descrita como tendo um curso clínico relativamente grave ou rapidamente progressiva. Na era pré-quimioterapia, a maioria dos casos de tuberculose miliar aguda resultaram em doença progressiva no período pós-primário imediato, tanto em crianças como adultos jovens. No entanto, a tuberculose miliar aguda também pode ocorrer no cenário da reativação da doença. A principal característica patológica da tuberculose miliar aguda é a resposta granulomatosa caseosa típica com um menor número de organismos do que nas outras formas de doença miliar

Tuberculose Primária Progressiva

A Tuberculose Primária Progressiva ocorre em pacientes que se infectam com um grande inoculo de bacilos, ou quando as defesas imunológicas estão deprimidas. Neste caso, o foco primário evolui para uma grande área de inflamação granulomatosa e exsudativa, evoluindo para pneumonia tuberculosa. O local mais comum desta pneumonia é exatamente a localização mais frequente do foco primário (terço médio ou inferior do pulmão).
Podem surgir grandes focos caseosos locais que, ao liquefazerem-se, transformam-se em 'cavernas' e disseminam a doença para outros lobos pulmonares.
Pode ou não haver adenomegalia hilar/mediastinal satélite (esta associação é mais comum em crianças e menos comum em adultos).

Diagnóstico da Tuberculose Primária Progressiva

A diversidade de apresentações clínicas da tuberculose primária progressiva e a dificuldade em estabelecer o diagnóstico de formas paucibacilares é objecto de meticulosa investigação, bem como uma causa de atraso na terapia. Existe um relato do caso de uma criança negra de 10 anos de idade, que apresentou dor no peito e alargamento progressivo do mediastino superior. A tomografia computadorizada de tórax revelou múltiplas calcificações que não foram identificados com raios-X. Biópsia por mediastinoscopia foi compatível com o diagnóstico de tuberculose. Apesar de exaustiva investigação que incluía exame direto, cultura para micobactérias e PCR (Polymerase Chain Reaction) de amostras de tecido, o agente etiológico não foi revelado. Conversão à tuberculina foi observada durante o período de acompanhamento e resolução da lesão, após a administração de isoniazida, rifampicina e pirazinamida. A forma pseudotumoral nodal da tuberculose é rara em crianças imunocompetentes e pode simular doenças neoplásicas; pelo que, deve ser incluída na lista de diagnósticos diferenciais de massas localizadas no mediastino ântero-superior.


Tuberculose Primária Típica

A Tuberculose Primária Típica é a forma mais comum em crianças com idades entre os 2 e 12 anos, cuja resposta imunológica dos linfonodos hilares e mediastinais é exacerbada. Neste caso, o complexo primário pode ser representado por uma pequena área de pneumonite (ocupando geralmente o terço médio do pulmão) e pela adenomegalia hilar e/ou mediastinal ipsilateral. O aumento acentuado destes linfonodos pode levar à compressão de algum brônquio, causando atelectasia segmentar, lobar ou mesmo pulmonar total. A ruptura de um foco caseoso para o interior deste brônquio pode levar à pneumonia tuberculosa, precipitada pela grande quantidade de bacilos que invadem os alvéolos de um determinado segmento ou lobo. Teoricamente, qualquer segmento ou lobo pulmonar pode ser afetado.

Mycobacterium tuberculosis

Mycobacterium tuberculosis é o agente causador da tuberculose. Existem outras micobactérias "atípicas", tais como Mycobacterium kansasii que podem produzir uma aparência clínica e nível patológico semelhante da doença. M. avium-intracellulare (MAI), visto em hospedeiros imunocomprometidos (especialmente em pessoas com SIDA), não é primariamente uma infecção pulmonar em termos da sua distribuição nos órgãos. A tuberculose está a tornar-se um problema mundial. Guerra, fome, falta de habitação e falta de assistência médica, tudo contribui para o aumento da incidência de tuberculose entre pessoas desfavorecidas. Tuberculose é facilmente transmissível entre pessoas, pelo que o aumento de Tuberculose em qualquer segmento da população representa uma ameaça para todos os segmentos da população. Isto significa que é importante instituir e manter as medidas adequadas de saúde pública, incluindo rastreio, vacinação (se tal for considerado de valor), e tratamento. A frouxidão de medidas de saúde pública contribuirão para um aumento dos casos. Falha de tratamento adequado promove o desenvolvimento de cepas resistentes de tuberculose.


Síndromes da Tuberculose

A doença da tuberculose desenvolve-se em apenas 10% dos pacientes infectados. Em 5% dos casos, a primo-infecção evolui para doença (neste caso a Tuberculose Primária) que ocorre dentro dos primeiros 3 anos da infecção, mas geralmente nos primeiros 3 meses (período de incubação de 1 mês a 3 anos).
Nos restantes 5%, a doença desenvolverá após 3 anos da primo-infecção (geralmente décadas depois), ou seja, em pacientes previamente imunizados - neste caso, estamos falando da Tuberculose Pós-Primária, antigamente denominada tuberculose secundária.
Como veremos, este tipo de tuberculose pode ser decorrente da reativaçõo de um foco latente da primo-infecção ou simplesmente de uma reinfecção (uma nova inalação de bacilos).
Enquanto a tuberculose primária é a forma de doença clássica na criança, a tuberculose pós-primária ocorre quase exclusivamente em adultos com mais de 15 anos de idade.


Fatores de Risco para tuberculose

Qualquer pessoa pode vir a ter tuberculose, mas pessoas com alto risco de contrair tuberculose dividem-se normalmente em duas categorias:
- Pessoas que estiveram recentemente infectadas com a bactéria da tuberculose;
- Pessoas com condições médicas que enfraquecem o sistema imunitário.

Qualquer pessoa ficará em maior risco de ser infectada com a bactéria da tuberculose se:
- Passou um tempo com uma pessoa que apresenta tuberculose;
- Se for de um país ou se tiver visitado zonas onde a doença tuberculose é muito comum;
- Se viver ou trabalhar em locais onde a tuberculose é mais comum, como viver num abrigo, prisão ou cadeia, ou em instalações de cuidados de saúde a longo prazo;
- Se for um profissional de saúde que trabalha com pacientes que estão em risco aumentado de contrair tuberculose;
-  Se tiver a infecção pelo HIV;
- Se for uma criança com menos de 5 anos de idade;
- Se foi recentemente infectado com a bactéria da tuberculose nos últimos dois anos;
- Se tem outros problemas de saúde que tornam complicado o combater a doença pelo seu organismo;
- Se fumar cigarros ou abusar de bebidas alcoólicas e  utilizar drogas;
- Se não for tratado corretamente para a infecção da tuberculose latente ou se não foi devidamente tratado  para a doença da tuberculose no passado.


Tuberculose

Tuberculose, é uma doença causada por germes. Os germes da tuberculose podem-se instalar em qualquer parte do corpo. Nós, mais freqüentemente, ouvimos falar de tuberculose nos pulmões. O germe da Tuberculose se multiplica e agride partes do corpo humano, como os pulmões. Quando os pulmões são agredidos, o indivíduo não consegue respirar normalmente. A Tuberculose pode ser curada com o tratamento correto. As pessoas que não recebem o tratamento adequado podem morrer de Tuberculose.
De um modo técnico poderemos afirmar que a Tuberculose é uma doença infecciosa crônica, causada pelo Mycobacterium tuberculosis, caracterizada pela formação de granulomas nos tecidos infectados e por hipersensibilidade mediada por células.

A tuberculose é uma doença infecciosa bacteriana grave, que afeta mais frequentemente os pulmões, sendo principalmente transmitida de pessoa para pessoa através de gotículas (aerossóis) dos pulmões de pessoas com doença pulmonar ativa.

Porque não existe atualmente uma vacina completamente eficaz, o controlo da doença depende fortemente de detecção de casos de infecção e do seu tratamento durante pelo menos seis meses, com uma combinação de antibióticos. O objectivo do tratamento é curar o paciente e conseguir a não infecciosidade, pelo que, se pretende a interrupção da transmissão da doença, evitando ao mesmo tempo o aparecimento de resistência a fármacos.

Na União Europeia, as taxas de notificação de casos de tuberculose estão entre os mais baixos do mundo. No entanto, o padrão epidemiológico varia consideravelmente de país para país, com alguns países a mostrarem um progresso constante no sentido de eliminar a doença, enquanto outros ainda enfrentam elevadas taxas de notificação de casos.

Factos sobre a tuberculose

O agente causador da tuberculose mais importante é o Mycobacterium tuberculosis. M. tuberculosis, M. bovis, em conjunto com, M. africanum e M. microti, que formam o 'M. complexo de tuberculosis, que é um grupo dentro do género Mycobacterium. Este gênero também inclui muitos micobactérias não tuberculosas diferentes, das quais M. leprae e M. avium são mais as conhecidas.


Diagnóstico da Tuberculose na criança

A tuberculose na criança (menores de 10 anos) apresenta especificidades que devem ser consideradas durante sua investigação diagnóstica. A forma pulmonar difere do adulto, pois costuma ser abacilífera, isto é, negativa ao exame bacteriológico, pelo reduzido número de bacilos nas lesões. Além disso, crianças, em geral, não são capazes de expectorar.
Na fase final da infância e no início da adolescência (10 anos ou mais) aparecem formas semelhantes às encontradas em adultos. As lesões passam a ser mais extensas, nos terços superiores dos pulmões, escavadas e disseminadas bilateralmente. Os pacientes quase sempre têm sintomas respiratórios e são mais frequentes resultados positivos à baciloscopia. Nessa faixa de idade, é fácil realizar o exame de escarro e o diagnóstico pode ser comprovado pelos métodos bacteriológicos convencionais (baciloscopia e cultura).


Epidemiologia da tuberculose

Não existe nenhuma região no mundo que esteja isenta de tuberculose. As taxas de ocorrência de tuberculose mudam de país para país, de um lugar para outro e obedecem a determinantes sócio-econômicos, sendo predominante nas áreas mais pobres. A tuberculose não varia com as estações e não tem carácter cíclico. Os pacientes que expelem os bacilos (bacilíferos) são designados de “focos” e constituem a principal fonte de infecção, assim os seus contatos, ou seja, pessoas que tem contato intradomiciliar e de trabalho, são considerados como pertencentes a um grupo de maior risco. Existem ainda outras condições que aumentam o risco de adoecer por tuberculose, como a deficiência imunológica, desnutrição, habitação inadequada, estresse, individuos portadores do HIV/AIDS, diabéticos, usuários de drogas, alcoolicos e outros. Nos dias atuais, com o emprego da quimioterapia específica, diminuiu drasticamente a letalidade, bem como a mortalidade por tuberculose. Estima-se que existam cerca de 85.000 casos novos de tuberculose por ano no Brasil.

Vacina BCG impede a tuberculose?

Existe uma vacina (BCG), que tem sido usada ao longo de muitos anos para ajudar a proteger contra a tuberculose. BCG funciona melhor para prevenir as formas mais graves de tuberculose em crianças.
No entanto, a vacina BCG não previne a tuberculose em todos os casos, pelo que você ainda precisa conhecer os sinais e sintomas da tuberculose.

Em alguns países a vacina BCG é oferecida a:
• Crianças com menos de 12 meses de idade que nasceram ou que vivem em áreas onde a taxa anual de novos casos de tuberculose é de 40 casos por 100.000 habitantes ou mais.
• Crianças com menos de 16 anos de idade, cujos pais ou avós nasceram ou vieram de um país onde a taxa anual de novos casos de tuberculose é de 40 casos por 100.000 habitantes ou mais.
• Crianças previamente não vacinadas com menos de 16 anos de idade que sejam recém imigradas de países onde a taxa anual de tuberculose  é de 40 casos por 100.000 habitantes ou mais.
• Indivíduos não vacinados anteriormente com tuberculina negativa, com menos de 16 anos de idade e que estão em contato com casos de tuberculose respiratória.

Como vou saber se tenho tuberculose

Os sintomas mais comuns da tuberculose incluem:
• Uma tosse persistente que dura mais de três semanas e piora progressivamente;
• Perda de peso sem motivo aparente;
• Febre e suores noturnos;
• Uma sensação geral e invulgar de cansaço e mal-estar;
• Tosse com sangue.
Todos estes sintomas também podem ser sinais de outros problemas, mas se você os tem e está preocupado, fale com o seu médico.
Se você mantêm um contato próximo com alguém que tenha sido diagnosticado com tuberculose e por conseguinte existe um risco de você ter a infeção, poderá consultar o seu médico para que este possa promover testes para despistar a possibilidade de você ter tuberculose.

A tuberculose pode ser tratada com antibióticos especiais. Uma vez que o tratamento é iniciado, você começará a sentir-se melhor depois de cerca de duas a quatro semanas. Mas o tratamento deve continuar por pelo menos seis meses. É de vital importância completar todo o tratamento com antibióticos para curar a tuberculose. Se você não fizer isso, a tuberculose pode retornar numa forma que é resistente aos medicamentos habituais e muito mais difícil de tratar, e você poderá passar essa forma mais grave da infeção para a sua família e amigos. Se a tuberculose não for tratada adequadamente, pode levar à morte.

Como se transmite a tuberculose

Tuberculose é uma doença infecciosa que normalmente afeta os pulmões, embora possa afetar quase qualquer parte do corpo.
A tuberculose causou cerca de uma em cada oito mortes no Reino Unido há cerca de 150 anos atrás, mas na década de 1980, com melhores condições de habitabilidade e nutrição, tornou-se rara no Reino Unido com 5.086 casos em 1987. No entanto, a tuberculose não foi eliminada por completo. Ao longo dos últimos 20 anos no Reino Unido os números têm vindo a aumentar lentamente. Cerca de 9000 pessoas são diagnosticadas com tuberculose a cada ano, o que corresponde a cerca de uma pessoa por cada 7000 pessoas da população.
Tuberculose não é facilmente adquirida, já que se torna necessário que você tenha que estar em estreito e bastante prolongado contato com alguém com tuberculose (por exemplo, vivendo na mesma casa), mas todas as pessoas devem estar cientes dos sintomas da doença, para que possam procurar tratamento o mais cedo possível.

Tuberculose só pode ser contraída diretamente de alguém com tuberculose infeciosa nos pulmões ou garganta. Embora a tuberculose seja transmitida pelo ar, quando as pessoas que têm a doença tossem ou espirram, podem contagiar pessoas que estão em contato próximo e prolongado.
Portanto, é improvável que você pegue tuberculose no transporte público, por exemplo.
Nem todas as pessoas com tuberculose dos pulmões são contagiantes, e enquanto elas estão tomando o tratamento adequado, na maior parte dos casos deixam de se tornar infeciosas rapidamente, geralmente após cerca de duas semanas desde que elas estão implementando o tratamento adequado.
Apesar de qualquer pessoa puder pegar tuberculose, alguns grupos de pessoas correm mais riscos do que outros. Estes incluem as pessoas que:
• Vivem na mesma casa, ou estiveram em contato próximo prolongado, com alguém que tenha tuberculose infeciosa;
• Estejam a viver em condições insalubres ou sobre-lotadas, incluindo pessoas que estão desabrigadas ou dormem na rua;
• Viveram, trabalharam ou permaneceram por um longo tempo numa área com uma alta taxa de tuberculose, por exemplo, sudeste da Ásia, África subsariana e em alguns países da Europa de Leste;
• Possam ter sido expostas à tuberculose na sua juventude, quando a doença era mais comum;
• Sejam filhos de pais cujo país de origem tem uma alta taxa de tuberculose;
• Saíram da prisão;
• São incapazes de combater a infecção (imunossuprimidos) devido a doença (por exemplo, a infecção pelo HIV);
• São dependentes de drogas ou de abuso de álcool;
• Não comem o suficiente para se manter saudáveis.

Diagnóstico Clínico e epidemiológico da tuberculose

Muitas vezes a tuberculose manifesta-se através de diversas apresentações clínicas, podendo relacionar-se com o órgão envolvido. Assim, podem ocorrer outros sintomas ou sinais para além da tosse, e estes deverão ser valorizados quando se promove uma investigação para diagnosticar o problema de saúde de forma individualizada. A tuberculose pulmonar pode  surgir sob diversas formas, nomeadamente sob a forma primária, secundária ou miliar.
Os sintomas mais comuns da tuberculose pulmonar são a tosse persistente com produção ou não de muco e sangue, febre vespertina, perda de peso e sudorese noturna.

Tuberculose pulmonar primária

A tuberculose pulmonar primária é mais comum nas crianças e normalmente apresenta-se de forma insidiosa do ponto de vista clinico. A pessoa afetada apresenta-se irritadiça, com sudorese noturna, febre ligeira e inapetência, sendo que o exame físico pode não ter grande significado.

Tuberculose pulmonar secundária ou pós-primária

A Tuberculose pulmonar secundária ou pós-primária pode surgir em pessoas de qualquer idade, mas normalmente ocorre mais frequentemente em adolescentes e adultos jovens. Esta forma de tuberculose apresenta como principal característica a tosse seca ou produtiva. Nos locais que apresentam elevada taxa de incidência da tuberculose, todas as pessoas que procurem assistência médica por causa deste tipo de tosse devem ser sujeitas a exames para despistar a possibilidade de ter contraído uma tuberculose.
A expectoração associada à tuberculose pode ser purulenta ou mucoide, contendo ou não sangue. A febre ligeira vespertina, não ultrapassa normalmente os 38,5º C e não provoca calafrios. Sudorese noturna e anorexia são comuns. O exame físico normalmente identifica fácies de doença crônica e perda de peso, embora também possa suceder que uma pessoa que tenha um bom aspeto físico na generalidade e sem que tenha perdido o apetite, também possa apresentar tuberculose pulmonar. A auscultação pulmonar pode identificar uma diminuição do murmúrio vesicular, sopro anfórico, mas também estes podem surgir normais.

Tuberculose miliar

A denominação de tuberculose miliar surge como associação ao seu aspeto radiológico pulmonar. Tuberculose miliar ocorre em cerca de 1% dos casos de pacientes HIV soro-negativos, sendo uma forma grave de doença, e até 10% de pacientes HIV soropositivos, já numa fase adiantada de imunossupressão. 
A tuberculose miliar apresenta-se clinicamente como aguda, sendo mais comum nas crianças e nos adultos jovens. Os sintomas associados à tuberculose miliar são a febre, perda de peso e astenia, que em conjunto com a tosse surgem em 80% dos casos. Em 35% dos casos, o exame físico mostra hepatomegalia e em 30% dos pacientes surgem alterações do sistema nervoso central e alterações cutâneas típicas deste problema de saúde.

Controle da tuberculose

Diagnosticar e tratar correta e prontamente os casos de tuberculose pulmonar são as principais medidas para o controle da doença. Esforços devem ser realizados no sentido de encontrar precocemente o paciente e oferecer o tratamento adequado, interrompendo a cadeia de transmissão da doença.
A tuberculose é transmitida por via aérea em praticamente todos os casos. A infecção ocorre a partir da inalação de núcleos secos de partículas contendo bacilos expelidos pela tosse, fala ou espirro do doente com tuberculose ativa de vias respiratórias (pulmonar ou laríngea). Os doentes bacilíferos, isto é, aqueles cuja baciloscopia de escarro é positiva, são a principal fonte de infecção. Doentes de tuberculose pulmonar com baciloscopia negativa, mesmo que tenham resultado positivo à cultura, são muito menos eficientes como fontes de transmissão, embora isso possa ocorrer. As formas exclusivamente extrapulmonares não transmitem a doença.

Tuberculose e Tabagismo

Estima-se que 1,3 bilhão de pessoas no mundo consuma tabaco, e a maioria desses indivíduos está em países subdesenvolvidos ou em desenvolvimento, onde as taxas de tuberculose também são mais elevadas. Algumas revisões sistemáticas e meta-análises de estudos observacionais têm apontado uma associação desfavorável entre as epidemias globais de tuberculose e o tabagismo, nas quais a exposição à fumaça do tabaco está associada com infecção, doença e mortalidade por tuberculose.
As bases fisiopatológicas nas quais o tabagismo aumenta o risco de tuberculose são explicadas pela disfunção da mecânica ciliar, diminuição da resposta imune e defeitos na resposta imunológica dos macrófagos, aumentando a suscetibilidade à infecção pelo Mycobacterium tuberculosis.
Apesar dos níveis de evidências da associação entre tabagismo e tuberculose, as principais diretrizes mundiais sobre tuberculose trazem pouca informação sobre a necessidade do combate ao tabagismo para o melhor controle da tuberculose.
Na prática clínica diária, três ações principais devem ser instituídas: a busca ativa de casos de tuberculose em pacientes tabagistas, a promoção do tratamento da dependência ao tabaco para os pacientes com tuberculose e que o local onde esse tipo de doente recebe assistência e tratamento seja um ambiente livre do tabaco.

Informações para quem cuida de portadores de Tuberculose

  1. Tuberculose é uma doença causada por germes. Ela é transmitida mais facilmente quando está localizada nos pulmões do paciente.
  2. Pessoas com Tuberculose apresentam sintomas diferentes. O principal sintoma da Tuberculose nos pulmões é tosse por mais de duas a três semanas. É recomendado ir até uma unidade de saúde para fazer exames.
  3. Tuberculose é transmitida para outras pessoas quando alguém com Tuberculose tosse ou espirra.
  4. É importante para o paciente com Tuberculose tomar todas as drogas para Tuberculose regularmente, de acordo com a programação, durante todo o tratamento. Do contrário, a doença pode se tornar incurável.
  5. Evita-se Tuberculose:, tomando todo o tratamento e ficando curado da Tuberculose e cobrindo a boca e o nariz quando tossir ou espirrar.
  6. O principal papel do agente de apoio é certificar-se que o paciente está tomando todos os medicamentos regularmente, durante toda a duração do tratamento. Também é parte do seu trabalho ouvir e encorajar o paciente.
  7. Como agente de apoio você provê ajuda contínua ao paciente, vendo o paciente tomar as drogas corretas e completando o cartão de tratamento da Tuberculose, a cada encontro, após as drogas serem tomadas. Encorajando o paciente a continuar os encontros para tratamento da Tuberculose, certificando-se que sempre haja drogas suficientes para o paciente, encaminhando o paciente à unidade de saúde se surgirem problemas e certificando-se que o paciente vá à unidade de saúde quando tiver que fazer um exame de escarro.
  8.  Complete o cartão de tratamento da Tuberculose cada vez que o paciente tomar as drogas.
  9. Você deve ver o paciente engolir todas as drogas.
  10. As drogas para Tuberculose podem causar efeitos colaterais. O paciente deve informá-lo se tiver algum efeito colateral para que você saiba o que fazer.
  11. O agente de apoio ajuda o paciente a melhorar e impede que a Tuberculose se espalhe entre a família e a comunidade.

Cura da tuberculose

Tuberculose tem cura se os medicamentos prescritos no tratamento da tuberculose forem tomados regularmente, no horário certo, durante toda a duração do tratamento, mesmo que os sintomas melhorem, antes de ter terminado a medicamentação.
Tuberculose pode matar se não for tratada da forma correta. Os pacientes vão continuar a transmitir tuberculose para outros na família ou comunidade, caso não tomem toda a medicamentação prescrita. A tuberculose não vai ser curada se somente alguns dos medicamentos forem tomados ou se não completar o tratamento. É perigoso não seguir o tratamento corretamente e tomar apenas alguns medicamentos prescritos porque assim a doença pode se tornar incurável.
Algumas pessoas têm que passar algum tempo no hospital. A maior parte do tratamento para curar a tuberculose pode ser feito em casa, mas os medicamentos devem ser tomadas de acordo com a orientação de um profissional da saúde.

Prevenção da tuberculose

O pilar estratégico para a prevenção da tuberculose é a atenção primária à saúde.
Nesse contexto, salientamos que a prevenção visa à realização de intervenções de modo a alcançar indivíduos, grupos sociais em risco de adoecer ou a sociedade em geral, como a melhoria das condições de vida e maiores investimentos em saúde pública.
No caso da tuberculose, temos dois tipos de intervenções, ao nível individual e social:
  • Descoberta de casos e tratamento (medida mais eficaz);
  • Vacinação com BCG;
  • Quimioprofilaxia.

Entre as intervenções preventivas gerais, temos:
  • Ações educativas visando à divulgação das condicionantes da doença (processo de informações, educação e comunicação social);
  • Medidas de biossegurança que são medidas de controle da transmissão da tuberculose, em unidades de saúde, preconizados pela OMS.

Tratamento da tuberculose

A tuberculose é uma doença grave, porém, curável em praticamente 100% dos casos novos, desde que obedecidos os principios da moderna quimioterapia.
A regularidade no uso dos medicamentos e a eficácia do esquema são os pontos críticos para o sucesso do tratamento da tuberculose. Outros fatores podem ser destacados de forma menos relevante como a gravidade da doença, alimentação, repouso, cuidados de enfermagem e traços psicológicos.
Desta forma, a adesão ao tratamento, somado à regularidade nas tomadas dos medicamentos, à completude do regime prescrito e ao comparecimento regular às consultas médicas, são fatores cruciais para o sucesso de qualquer regime.

Evitar a transmissão da tuberculose

Um paciente com tuberculose pode evitar a transmissão da doença:
  • Seguindo o tratamento e ficando curado a fim de evitar a transmissão da doença para outros na família e na comunidade.
  • Cobrindo a boca e o nariz quando for tossir ou espirrar.

Todas as pessoas em contato com pacientes com tuberculose, especialmente crianças e adultos com tosse, devem recorrer à unidade de saúde para consulta médica.